
Isso mesmo. Venda. Sem dó nem piedade. Venda junto o aparelho de DVD a antena parabólica e qualquer outro objeto ligado a TV. Você pode assistir filmes no cinema e qualquer outro evento no bar da esquina, junto com seus amigos. Notícias globais podem ser lidas na internet e as notícias locais no rádio.
Eu vim de uma família noveleira. Daquelas que assitem o Jornal Nacional, a novela das 8 e todos os outros programas até a hora de dormir. Até o momento que entrei na faculdade, eu cumpri regularmente o meu papel de espectador. Por causa das aulas noturnas, fui obrigado a me desligar parcialmente do aparelho, telespectando (como se isso fosse uma ação) somente depois das 23:00 em dias úteis e aos sábados e domingos. Quando me mudei para Porto Alegre, a pressão do Mestrado diminuiu meu tempo em frente a telinha, mas ela continuava lá, como um vício.
Depois que eu li o ócio criativo concluí que a TV, às vezes, me fazia perder meu tempo ocioso, pois eu não aprendia nada, não fazia nada para o Mestrado, e ainda não me divertia. Naquele dia eu cometi o erro de não dar a devida importância à TV. Ela me distraia do trabalho mas não me divertia e, como não me divertia, eu precisava de tempo para me divertir. Naquela época, não trabalhar e se divertir eram sinônimos para mim.
Há duas semanas eu entendi que o " não trabalhar " não significa " se divertir " e que o tempo gasto em coisas como a TV poderia ser melhor aproveitado. O simples fato de você jantar assistindo TV te prejudica, pois o teu cérebro poderia estar trabalhando enquanto você janta, criando um post para o seu blog, por exemplo. Se você costuma sentar e assistir TV algumas horas por dia, pense em como seria mais legal se este tempo (algumas horas) fosse dedicado ao seu filho, a sua esposa, namorada ou a você mesmo. Lacrei a tomada da TV (não pude vender porque ela não é minha) e comecei a usar intensamente todas as 17 horas que permaneço acordado por dia.
Eu sempre gostei da minha produtividade mental nas viagens de ônibus que faço para Gaspar todo o mês. São nove horas de viagem, iniciando as 21:30 aqui em PoA / RS e terminando as 6:30 lá em Gaspar / SC. Como não há nada para fazer no ônibus eu simplesmente ficava quieto, pensando. Tive várias idéias interessantes entre as 21:30 e as 24:00 na viagem. Nunca conseguiria fazer o mesmo, com a mesma intensidade, em Porto Alegre ou em Gaspar, porque nunca ficava isolado sem distração.
Na primeira janta após a " venda " da TV já senti os resultados. Consegui trazer para o meu dia-a-dia aquela produtividade mental que eu só conseguia no isolamento das viagens. Ante-ontem quando eu pensava sobre isso tudo, concluí que eu não apenas havia entendido o ócio criativo, mas que agora eu estava realmente entrando no jogo do Domênico. Dividindo o meu tempo apenas entre trabalho e diversão.
Venda a sua TV, ou qualquer outro dispositivo que te faça vegetar: nem trabalhar, nem se divertir; e você sentirá a diferença.
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