
Sustentabilidade não é um conceito das ciências ambientais. Sustentável é toda a ação cujo portador sobrevive em longo prazo. O atual modelo Microsoft, por exemplo, não é sustentável, assim como os modelos da Nokia e da Oracle.
Os adeptos aos modelos da Microsoft e da Free Software Foundation vêm brigando entre si há um bom tempo. Ideologias fortes, em ambos os lados, criaram comunidades fiéis e cegas que hoje, felizmente, enfraquecem a cada dia, perdendo poder técnico e político. Os dois modelos não são mais sustentáveis. Precisam mudar para sobreviver.
O modelo Microsoft é a venda de software. O da Apple é a venda de conveniência. Fazem quase a mesma coisa, mas a maneira como fazem e os caminhos por onde o dinheiro passa são completamente diferentes. Pode-se até dizer que não são concorrentes. Não há concorrência para a Apple hoje em dia e, por esse motivo, seu modelo é sustentável. O Linux também é sustentável. Um sistema operacional modulável gratuito, que tem seu custo dividido entre pessoas e empresas. Só não é um padrão ISO, porque padrões rígidos também não são mais sustentáveis.
O grande problema da Microsoft não é o custo de produção, mas a sua fatia de mercado que diminui a cada dia, com a Apple atacando quem paga por conveniência, e o Google atacando quem não quer gastar. E mais, o custo da Microsoft para manter o SO é muito maior que o da Apple e o do Google. Trata-se de uma versão digital da competição GM vs Toyota dos últimos anos.
É fácil perceber como o Google Chrome OS vai conquistar o espaço do Windows. É feito de graça, é rápido e realiza os desejos da maioria das pessoas: conecta a internet. Os produtores de Netbook genéricos não têm mais o que reclamar. É só usar. Da mesma forma, o Android vai conquistando usuários do Windows Mobile. Afinal, bastam os chineses fabricarem o aparelho e colocarem SO com os aplicativos do Google. Tudo gratuito, grande parte livre, não há royalties. Não há mais a necessidade dos americanos. Simples assim.
Para piorar os índices da Microsoft, Apple Mobile e Android ou Apple Desktop e Linux não se atacam. Sabem que são mercados diferentes, não há competição entre eles. A Nokia e outras produtoras de celulares estão na mesma posição da Microsoft. Com Android + chineses atacando de um lado e iPhone do outro, não há modelo de negócio que resista. Pelo menos a Nokia tende a oferecer conveniência no futuro, mas ainda está longe de poder competir com a Apple + Apple Store.
Atualmente, ainda há um tremendo esforço de unificação de sistemas operacionais dando certo. Uma das iniciativas é a da Novel. Apesar de não gostar do Suse, estou gostando do rumo da empresa, que se mostra cada dia mais sustentável. A parceira e puxa-saco da Microsoft investe pesado na convergência, interoperabilidade e portabilidade de aplicações entre os sistemas operacionais. Muito da amigabilidade do Windows está sendo trazida para o mundo linux e o investimento no mono, apesar de todos os problemas com as patentes da Microsoft, também está ajudando. Pelo menos neste momento, não é mais necessário conhecer Java para criar uma aplicação completamente portável.
A Palm com seu WebOS, o Google com o Android, o Canonical com seu Ubuntu Mobile Edition e a Nokia com o OpenBossa mostram que a convergência acontece em diversos níveis de hardware. Todas elas usam kernel Linux e ganham dinheiro com isso. Mandam um recado à Microsoft: não é necessário desenvolver todo o kernel a cada novo sistema operacional criado. E, em tempos de crise, fazem a Microsoft pensar se o custo da manutenção de um kernel próprio é realmente necessário.
O Wine, a partir da versão 1.0, roda muitas aplicações Windows sem problema algum. Inclusive aquelas compiladas com Visual C + + e aquelas que usam DirectX 10. No meu caso, uso Office 2007, Acrobat Pro 9, e jogo vários games Windows diretamente no Linux, sem qualquer emulação ou virtualização de SO. A versão Linux do Picasa é, na verdade, uma compilação Windows sendo distribuída junto com o Wine, de forma que o usuário nem perceba. Não há motivos para a Microsoft não lançar uma versão linux do Office 2007 usando o mesmo modelo do Picasa. Estão perdendo dinheiro e arrumando inimigos, de graça.
Pergunto-me o que acontecerá quando o Wine for integrado ao kernel oficial do Linux. Qualquer binário do Windows poderia ser facilmente executado. As aplicações Windows poderiam ser instaladas no Linux. Fim do Windows ou oportunidade para novos negócios?
A Apple já abandonou o PowerPC.
Quanto a Microsoft, ela está tentando mudar. Ainda está longe de possuir uma visão clara de um modelo de negócio sustentável, mas está no caminho. Quando ela finalmente deixar de lado sua arrogância e começar a reaproveitar software livre, estará no caminho certo. Se querem um ambiente agradável ao usuário, se querem vender conveniência, poderiam implementar extensões e aplicações proprietárias para Linux, de maneira que o sistema operacional fique do jeito que a empresa gostaria. Aproveita-se toda a estrutura de drivers, gerenciamento e comunicação. Cria-se apenas um novo cliente para o X, semelhante ao KDE ou ao Gnome. Fácil assim, mas até lá, investirá muito dinheiro em locais onde não haverá retorno.
Microsoft, eu, como feliz usuário linux, aguardo ansiosamente a chegada de seus produtos amigáveis a nossa plataforma, junto com a Microsoft Store.
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