
E como tem " empresário " pensando assim. Na maioria das entrevistas que participei até hoje, os contratantes tentaram desviar a atenção do baixo salário com frases do tipo: esse é um trabalho desafiador , nosso ambiente recompensa as pessoas , os profissionais são o core da nossa empresa , aqui você tem a opção de fazer o que gosta , temos muitos benefícios , queremos ver nossos funcionários felizes , procuramos o perfil certo, aqui usamos metodologias ágeis, vamos investir em você , etc, etc, etc. BALELA! Quantas vezes o contratante olhou pra mim com a cara de: estou te fazendo um favor, você não tem o direito de cobrar esse valor . Prometem inúmeros benefícios que, para eles não custa nada, pois deduzem do imposto de renda, e enche os olhos do funcionário (que não pode deduzí-los do imposto de renda, pois a empresa já fez isso, mas os futuros funcionários ainda não sabem disso).
Quando não tem a velha enganação CLT vs PJ. Além de ganharem uma liberdade maior com um PJ, eles ainda tentam baixar o salário do cidadão, afirmando que gastam menos de 50% a mais sobre o valor líquido do CLT com os encargos trabalhistas. Não se enganem, a empresa gasta pelo menos 90% a mais em relação ao salário líquido em CLT então, peça pelo menos 90% a mais quando falar em PJ. E lembre-se que não existe férias remuneradas, décimo terceiro salário, FGTS, previdência e que a maioria dos processos trabalhistas não são mais possíveis. Tudo é por tua conta. E não se enganem, trabalhar como PJ e aceitar que cabe ao " tomador de serviços a direção da atividade, estabelecendo regras para o seu desempenho tais como horário, modo, prazos … " é crime! O PJ recebe tarefas e dita como vai resolvê-las. Não cabe ao contratante forçar horários e tecnologias.
Algumas empresas ainda tem a cara de pau de exigir que um funcionário assine um contrato dizendo, claramente, que todas as idéias que ele tiver dentro da empresa, independente se há alguma relação com ela ou não, são propriedade da empresa. Há também aquele contrato que o funcionário se responsabiliza pela CPU que está trabalhando, aquele outro que o impede de trabalhar em uma empresa concorrente nos próximos anos, etc.
O pior são aqueles que buscam os gênios que ainda não sabem que são gênios. Os inocentes que ainda não tem noção de como são melhores do que os outros e aceitam ganhar míseros trocados por muito trabalho. Quando não é um contrato de estágio, onde a empresa não tem custos trabalhistas, paga pouco e o funcionário não tem direito a nada.
O que esperar de uma empresa na qual o contratante começa o negócio te enganando? Como diz um colega meu: Quanto mais eu conheço a forma que as " equipes " mercadológicas trabalham, mais eu quero ficar na academia.
Gosto do que eu faço, logo, ganho pouco . Procurar esse tipo de pessoa é o objetivo de qualquer contratante. Alguém que goste do que faça e, por gostar de trabalhar para os outros, peça uma quantia menor como salário. É mole? É evidente que quem gosta do que faz, faz melhor, logo deveria ser muito mais caro que os ditos convencionais. Se você faz o que gosta, mas gosta de verdade, provavelmente você é bom no que faz, logo EXIJA um bom salário. Não tenha medo de perder o emprego, pois o mundo empresarial está desesperado atrás de profissionais, bons e ruins. O Brasil tem um déficit gigantesco de profissionais de TI, déficit gera procura e procura aumenta salário. Simples, não? Pena que muita gente não conheça esta regrinha, ou até conhecem mas não tem coragem para aplicá-la.
Senhores empresários, não interessa o quão boa seja a sua empresa, o emprego oferecido ou o quão grande é a sua empresa. O salário de um bom funcionário não muda em função disso.
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