
Por que eu uso Linux?
Não. Não é pela filosofia, nem por ser gratuito, nem por ter o código fonte aberto, nem por ser melhor que qualquer outro sistema operacional e nem por eu ser contribuinte de projetos de software livre.
Eu uso Linux por três motivos:
Eu uso Linux por segurança e simplicidade. Nada de liberdade ou filosofia. Em outras palavras, trata-se de estabilidade. Não quero coisas novas, não quero interfaces novas. Não quero grandes mudanças. Quero que ele continue assim simples, prático, seguro e estável. Evoluindo devagar e sempre. Corrigindo suas falhas gradativamente.
O computador para mim é uma simples ferramenta. Ferramentas não mudam. Um martelo sempre será um martelo. Ninguém precisa renovar o design para que as pessoas comprem mais martelos. É claro que o design do cabo altera a produtividade do usuário do martelo, mas alterar o design não significa obrigar o usuário à re-aprender a martelar. Computador é a mesma coisa. Se a Microsoft continuasse evoluindo o Win98 eu estaria usando ele até hoje. Mas, como querem mudar, acabam optando por re-inventar muitas rodas e, por conseqüência, destruir grande parte dos sistemas que estão em funcionamento. Com Linux isso também acontece, mas com freqüência e intensidade muito menores (Vide a troca do ALSA pelo PulseAudio).
Já faz 7 anos que não instalo um anti-vírus, um firewall ou um anti-spyware. Posso clicar em todos os e-mails suspeitos que nada acontece. Formatei meu micro apenas 4 vezes nesse período, sendo que três destas aconteceram porque troquei de micro. Se isso não é sinônimo de segurança não sei mais o que segurança significa.
A segurança e a simplicidade do mundo Linux não me fazem perder tempo com inutilidades. Gasto meu tempo com aquilo que me interessa, aumentando a minha produtividade. Como sou desenvolvedor, o que interessa é o meu programa. Foda-se a nova interface do MSN. Foda-se o KDE4. Foda-se a nova lista de vírus que andam por aí. Não preciso me preocupar em atualizar o meu software por causa da nova versão que vem por aí. Claro que o Linux não me impede de dar uma olhada nas novidades, apenas remove a necessidade e a preocupação nelas.
Com o Linux eu tenho mais poder de configuração. Microsoft e Apple pecam nisso porque são fornecedores influentes. Se alguém quiser usar o ambiente do Windows 98, não pode. Se alguém não gostar do comportamento daquele menu superior do Mac, não tem como mudar. O poder de configuração é útil porque eu adapto o meu ambiente de forma produtiva. Não quero usar o Compiz, não quero usar o Kde4. Quero usar o simplista Gnome 2 com Gnome-Do, Guake e Epiphany. Imagine poder usar o Windows Vista sem o Aero. Não me importa se eu não tenho uma telinha atraente para configurar o sistema desde que a configuração via console / shell seja rápida de se fazer (e, normalmente é).
A grande vantagem de ser independente de fornecedor não é o fato de poder mudar de fornecedor quando quiser. O benefício é que o fornecedor atual não te atrapalha. Se você programa em C + + para Windows, por exemplo, é muito provável que você use e que esteja preso ao Visual Studio (disparado a melhor IDE para C + +). O Visual Studio é projetado para que, no mínimo deslize do programador, o código deixe de rodar em outros sistemas operacionais. Isso é o que eu chamo de influência do fornecedor. A distribuição (deploy) de qualquer programa compilado com o Visual Studio não pode ser feita simplesmente copiando o executável. Você tem que instalar uma versão leve do Visual Studio em cada cliente. É mole?
Não quero saber de filosofia, não quero temer digitar uma senha, não quero efeitos mirabolantes, não quero cantos arredondados e não quero meu fornecedor me incomodando. Quero paz disso tudo. Paz para trabalhar. E o Linux me permite isso. Simples assim.
E aí, por que vocês usam linux?
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