Vitor Pamplona

Innovation on Vision: Imaging , Enhancement and Simulation

Solucionando Problemas: O todo e suas partes

 Durante uma discussão ou revisão, é comum ter pessoas questionando, por ignorância ou fanatismo, a contribuição de uma proposta pela divisibilidade do problema. Assume-se que um problema é indivisível quando não se conhece todas as partes ou quando a forma de combiná-las é desconhecida. Quando isso ocorre, a contribuição positiva de uma das partes pode inverter a contribuição de outra, diminuindo a performance da solução como um todo. Se o proponente não deixar claro suas conclusões em relação ao todo e parte do problema, a argumentação contra pode ser forte o suficiente para invalidar a proposta e todo o trabalho de seu autor.


Imaginemos um time de futebol, por exemplo. É certo afirmar que jogadores individualmente bons não significam a vitória para nenhum time. Este é um caso onde o todo é maior que a simples soma das partes. Nós conhecemos as partes mas não estamos avaliando bem a interação entre elas ou seja, não é uma simples soma. Por outro lado, em partidas de xadrez por equipes, é certo afirmar que a vitória é muito próxima da soma das partes. Neste caso, as variáveis estão suficientemente isoladas para que não interfiram umas nas outras.

Em psicologia, as teorias que consideram um fenômeno psicológico como indivisível são chamadas de Gestaltistas. Até recentemente, todas as pesquisas com o cérebro humano eram gestaltistas. Baseavam-se na idéia de que o cérebro é uma caixa preta e que a única forma de entendê-lo era analisar as respostas dadas a diferentes estímulos. Felizmente, muitas pesquisas não são mais conduzidas desta maneira. Embora que ainda não se saiba a exata contribuição de cada uma das partes que compõem o cérebro, novas teorias já indicam uma melhoria na solução (cérebro) por meio de avanços em uma de suas partes.

Em questões investigativas, análises do todo para as partes (top-down) ou das partes para o todo (bottom-up) existem em vários ramos de pesquisa e desenvolvimento, e nenhuma delas pode ser desmerecida por sua abordagem. Benchmarks de linguagens, por exemplo, podem ser top-down ou bottom-up. Apesar de muita gente criticar e desconsiderar benchmarks bottom-up dizendo que não refletem o " mundo real ", estes são válidos para identificar gargalos e pontos de possível melhora nas linguagens analisadas. Um benchmark bottom-up não pode concluir (e nem pode-se deixar concluir) que uma linguagem é a melhor possível para o " mundo real " até que se descubra todas as formas de interação entre as características (partes) da linguagem. Um benchmark top-down, por sua vez, falha em não ser investigativo suficiente para indicar os pontos negativos de uma linguagem e por apresentar a melhor solução para apenas algumas instâncias do " mundo real ", apesar de indicá-las corretamente. As duas abordagens top-down e bottom-up geram conclusões diferentes. Cabe ao autor, tirar as conclusões corretas de sua análise.

Portanto, estão errados aqueles que defendem que a melhoria de uma parte influi diretamente no todo, sem estudar esta influência ou avaliar diretamente o todo. Também estão errados aqueles que leem estes textos e tiram suas próprias conclusões sobre o todo. Os que estudam o todo como indivisível geralmente relatam comportamentos medianos com alguma incerteza, reduzem as possibilidades de entrada e saída estudadas e, muitas vezes, contam com modelos probabilistas para gerar resultados cujas origens não são conhecidas / óbvias. Logo as conclusões são diferentes e não refletem o entendimento completo do problema. O entendimento completo só é alcançado quando as duas abordagens podem ser unidas numa só.

Acredito que muitas discussões poderiam ser evitadas se seus membros conhecessem estas regras.

Posted in Jun 21, 2009 by Vitor Pamplona - Edit - History

Showing Comments

No geral gosto dos posts e debates daqui. Mas esse não foi chover muito no molhado não? Achei meio óbvio, pois me parece senso comum.

Na engenharia falam muito de relação de compromisso. Não dá pra maximizar uma coisa sem alterar todo o processo, e aí tem que escolher um meio termo.

No cálculo tem aquela parte de " maximizar uma função sujeita a uma restrição ". Esse exemplo também é usado muito na economia.

Na física idem. Não dá pra aumentar indefinidamente a velocidade de qualquer coisa pois a massa vai se tornar infinita.

É claro que as vezes dá pra tentar melhorar um lado sem alterar outro (tentar atingir o ótimo de pareto), mas em sistemas reais conectados normalmente buscar uma boa relação de compromisso é a regra.

- - Demônio de Maxwell

- - Posted in Jun 23, 2009 by 189.75.117.85

Opa,

Na verdade é óbvio:)

Mas quando se trata de criticar, o povo da computação não sabe disso não. Basta acompanhar algumas listas para descobrir.

[] s

- - Vitor Pamplona

- - Posted in Jun 23, 2009 by 143.54.13.187

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