Vitor Pamplona

Innovation on Vision: Imaging , Enhancement and Simulation

Seriedade, Confiabilidade e Citações

Uma série de posts meus no Twitter causou certa polêmica:

" Quando escrever um artigo, ou algo sério, NUNCA cite um blog. Se a wikipedia já é vista como não confiável, imagine então um blog . Blogs, Wikipedia, Centrais de Notícia e muitos livros, apenas re-escrevem conteúdo em linguagem informal. Citá-los só trará efeitos e interpretações negativas ao seu texto. Conceito de um blog é lamentavelmente um diário. Escreve-se o que se pensa, sem qualquer compromisso com a verdade. Logo, por mais que a informação lá seja verdadeira e precisamente descrita, sempre haverá dúvidas por ser um blog. "

Não quero aqui difamar os blogueiros ou argumentar contra esse saudável hobby intelectual. Muitos de meus colegas expõem, em blogs, suas pesquisas (acadêmicas), experiências pessoais e relatam achados de maneira superior a muitos livros e agências de notícias. No entanto, mesmo blogs de cientistas importantes não devem ser citados em um texto sério.  

O conteúdo de um blog nunca será original / inovador da mesma forma que o conteúdo de uma notícia nunca será. Os dois tipos de inovadores, tecnológicos e científicos, não publicam suas contribuições em blogs. Eles as publicam em uma revista de maior valor ou impacto, onde sempre há uma equipe para garantir a precisão, confiabilidade e a transparência da informação. No caso de uma inovação tecnológica, ainda há mais problemas, pois esse tipo de publicação, em sua versão inicial, dificilmente retrata de maneira isenta, precisa e confiável os trabalhos anteriories, da concorrência, e a exata contribuição da inovação a ser descrita. Portanto, um processo de revisão independente é imprescindível.

O papel de uma citação é dar crédito ao autor da idéia original que se está parafraseando ou re-escrevendo. Dar o devido crédito é sempre um trabalho delicado, que merece muita atenção. Dar crédito a pessoa errada, a pessoa que simplesmente re-escreveu as idéias originais de alguém, dar mais crédito do que o necessário ou minimizar a contruição da pessoa citada, é um erro grave e normalmente desqualifica o seu texto, não importa onde você esteja publicando.  

Logo, citar um post de blog, que normalmente é escrito egocentricamente e informalmente, onde não se sabe qual é a exata contribuição daquele texto, onde não houve uma revisão adequada, e onde o autor dificilmente admite seus equívocos, é um grande erro. Não se trata apenas do erro de citar algo informal, mas sim da interpretação deste erro por parte de seu leitor.

Uma citação incorreta ou imprecisa normalmente desqualifica o autor do texto. Se o autor conhecesse a área em que escreve, citaria corretamente, dado que fazer uma citação é a parte mais fácil de qualquer trabalho. Se o autor erra a citação, significa que o autor não conhece tão bem a área, logo o seu texto e suas conclusões podem estar erradas e deverão ser, no mínimo, fortemente questionadas pelo leitor.  

Portanto, nada de citar blogs em qualquer trabalho sério.

Posted in Jul 19, 2009 by Vitor Pamplona - Edit - History

Showing Comments

Muitas vezes Blogs e Wikipedia mostram conhecimento empíricos e vivências que podem ajudar em muito a outras pessoas. Porém não possuem valor algum no meio acadêmico já que são de fontes não confiáveis, isto é, não são de mestres ou doutores. No meio acadêmico de nada vale uma pessoa ter um conhecimento descomunal, se ele não ficar publicando artigos apenas reforçando e citando o que outras pessoas falaram. Não é atoa que o meio acadêmico é tão atrasado em relação ao mercado.

- - Carlos

- - Posted in Jul 19, 2009 by 201.53.191.90

@ Carlos:

" Muitas vezes Blogs e Wikipedia mostram conhecimento empíricos e vivências que podem ajudar em muito a outras pessoas. "
Sem dúvida, eu diria que ajuda muitas vezes mais que um artigo científico. Eu mesmo só consegui entender alguns trabalhos porque vi discussões e informações não-formais sobre eles, comentadas em blogs.

" Porém não possuem valor algum no meio acadêmico já que são de fontes não confiáveis, isto é, não são de mestres ou doutores. "
Eles possuem um imenso valor no meio acadêmico, tanto que a maioria dos doutores e mestres possuem blogs. Mas não são fontes confiáveis. O Pamplona mencionou os motivos. Não precisa ser escrito por um mestre ou doutor para ser confiável, e sim, ser revisado por experientes na área, pessoas que tenham capacidade, credibilidade e senso crítico.

" No meio acadêmico de nada vale uma pessoa ter um conhecimento descomunal, se ele não ficar publicando artigos apenas reforçando e citando o que outras pessoas falaram. "
De certa forma é verdade. Do que vale você ter um conhecimento descomunal se você não vai compartilhar com a sociedade este conhecimento? No meio acadêmico, se você não compartilha, você não tem reconhecimento. Você não precisa ser mestre ou doutor para fazer isso. Todas as conferências que existem são abertas para todos os tipos de pessoas. Basta ter um trabalho original. Agora, trabalhos apenas reforçando e citando o que outras pessoas falaram, como não são originais, não são bem vindos em boas conferências. E geralmente, no mercado, é isso que se faz. Utiliza-se trabalhos acadêmicos.

" Não é atoa que o meio acadêmico é tão atrasado em relação ao mercado. "
Isso é questão de quanto dinheiro circula no meio. Eu não diria que o meio acadêmico é mais atrasado que o mercado. As grandes empresas que pesquisam e desenvolvem tecnologias também mandam artigos, participam das grandes conferências e não citam Blogs. Cientistas éticos dão créditos às pessoas certas.

- - Posted in Jul 19, 2009 by 189.6.226.188

Complementando minha resposta, acho que o meio acadêmico é mais atrasado em relação ao mercado em se tratando de burocracias.

- - Renato

- - Posted in Jul 19, 2009 by 189.6.226.188

é irônico utilizar um blog para dizer que o blog não possui credibilidade.

Mas a credibilidade, nesse contexto em que você aborda, tem um cunho cultural. Futuros acadêmicos terão um melhor discernimento para diferenciar conteúdo replicado do original.

Até lá seu conselho é prudente, mas haverá um dia que a mensagem será mais valorizada que o meio... eu espero.. rss

Abraços e sucesso!!!
http://hajaluz.net

- - Luiz Aquino

- - Posted in Jul 19, 2009 by 187.25.77.246

Oi Luiz,

Ironia governa este mundo:)

[] s

- - Vitor Pamplona

- - Posted in Jul 19, 2009 by 189.27.255.193

Um post escolhido ao acaso no blog do Martin Fowler tem mais valor para a engenharia de software que muito proceeding por aí.

- - Rodrigo

- - Posted in Jul 19, 2009 by 189.24.6.157

Oi Rodrigo,

Primeiro pense nisso. Se um post do Martin tem mais valor que qualquer proceedings, por que será que ele não conseguiu publicar o mesmo post numa revista científica ou conferência de engenharia de software? O meio acadêmico é muito correto avaliando trabalhos. Se os textos dele fossem bons mesmo, não teria porque não ter publicado.

Segundo, não importa se os posts são bons. Só lamento. É um blog e o que está escrito lá sequer foi revisado. Não vale nada.

Terceiro, Martin Fowler é um excelente contador de histórias. Só é uma pena que as histórias dele não tenham sequer uma provinha para discutirmos.

[] s

- - Posted in Jul 19, 2009 by Vitor Pamplona

Até então estava tudo bem, mas você desmerecer o Martin Fowler é no mínimo muita arrogância.

- - Carlos

- - Posted in Jul 19, 2009 by 201.53.191.90

Não desmereço o Martin, dou o crédito correto a ele. É um excelente contador de histórias.

- - Posted in Jul 20, 2009 by Vitor Pamplona

Tem gente que não sabe ler... Rodrigo disse:

" Um post escolhido ao acaso no blog do Martin Fowler tem mais valor para a engenharia de software que muito proceeding por aí. "

Já " [] s " disse que Rodrigo disse que textos de Martin Fowler tem mais valor que QUALQUER proceeding, mas Rodrigo disse MUITO proceedings, ou seja, Rodrigo não está errado, mas " [] s " disse que Rodrigo disse está totalmente errado.
Alguém que pisou na bola ao ler um texto tão simples e pequeno não pode querer tentar interpretar artigos científicos. Mas é possível que entenda textos de blogs perfeitamente, já que tem caráter didático. Devo dizer que muitos blogs são utilizados para entender a leitura complicada de certos artigos científicos, daí sua importância para estudantes. Martin Fowler não é um contador de história, é um " professor voluntário ", portanto, desmerecê-lo classificando-o como contador de histórias, como disse Rodrigo, é no mínimo, muita arrogância.

- - henrique

- - Posted in Jul 23, 2009 by 201.78.1.229

Oi Henrique,

Se você não percebeu, o " [] s " veio do autor deste post, cujo nome está a direita no final do comentário.

Sobre os proceedings, não importa se for " qualquer proceeding " ou " muitos proceedings ", Martin Fowler escreve em um blog experiências pessoas não comprovadas, sem qualquer estudo aprofundado, correlação estatística com variáveis independentes e sem informação necessária para que o " experimento " descrito no blog possa ser reproduzido em qualquer lugar do mundo. O fato de não realizar estes estudos o faz pior que qualquer proceedings por aí, onde estes estudos são primordiais para a publicação.

E henrique, professores são contadores de histórias.

[] s

- - Posted in Jul 24, 2009 by Vitor Pamplona

Caro Vitor! Gostei muito do post e dos comentários feitos pelos teus leitores e por ti. Só quero ressaltar que o propósito dos blogs, como bem já ressaltaste, não é cumprir a tarefa que cabe tradicionalmente aos canais formais de comunicação científica. No entanto saibas que no meu caso o teu post vai servir para respaldar em minha tese (portanto será citado, SIM) essa discussão que não entendo que deva estar concluída. Vale que possamos perguntar qual os limites do processo de comunicação científica e quais os papéis devem ser desempenhados por nós enquanto pesquisadores. E se os blogs se tornarem espaços de discussão e portanto agilização da produção e comunicação científica? E a escrita coletiva que pode ser efetivada nesses espaços como forma de compartilhamento de informação? E se essas ferramentas servirem aos processos de DIVULGAÇÃO DA SUA PESQUISA À SOCIEDADE? É TEMOS MAIS PERGUNTAS DO QUE RESPOSTAS. Mas minha proposta aqui é, respeitosamente, só acalorar a discussão. Parabéns pelo trabalho. E estou a disposição para mais considerações.
Rodrigo Silva Caxias de Sousa
Doutorando em Informação e Comunicação / UFRGS

- - Rodrigo Caxias

- - Posted in Jul 27, 2009 by 143.54.237.96

Oi Rodrigo,

Não posso te impedir de me citar, mas eu sugiro que você procure alguém que fale a mesma coisa que eu mas com mais autoridade e cite esta pessoa.

Autoridade significa ter uma publicação em algum periódico que trate desta discussão especificamente. Alguém já deve ter feito um experimento provando o que falei. É bem simples fazer.

[] s

- - Vitor Pamplona

- - Posted in Jul 27, 2009 by 143.54.13.187

Vitor, será que vc poderia me ajudar nessa? Uma amiga está sendo processada porque falou mal do ex-namorado (um prof. da UNESP) num blog, armou o barraco mesmo. Já recebeu a intimação e está preparando a defesa com uma advogada. Deletou o blog, mas ficou no cache do Google, e é baseado nesse cache que o processo está sendo feito. Ela precisa deletar o cache. Isso é possível? Como se faz para deletar o cache do Google com urgência? Se puder, me responda no SEMCIÊNCIA ou faça um post (imagino que esta questão é interessante).

- - Osame Kinouchi

- - Posted in Jul 29, 2009 by 189.123.127.158

Não sei do que se trata a discussão e nem é da minha conta, mas acho esse tipo de coisa legal pois só assim as pessoas passam a ter mais responsabilidades sobre o que falam.

Enfim, não sei do que se trata, se era merecido ou não e também não é da minha conta. Relacionado a esse assunto, olha essa notícia que saiu recentemente:

O autor de mensagens ofensivas em uma lista de e-mail foi condenado pela Justiça a pagar indenização de R$ 4 mil. A confusão ocorreu num grupo de discussão que tinha como integrantes alunos e professores do curso de pós-graduação em Biologia Vegetal da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo o Tribunal de Justiça, em 1 º de dezembro de 2007, o líder da turma enviou para o grupo um e-mail em que chamou uma estudante de “ imbecil ” por utilizar o e-mail para outros fins. Ele escreveu mais: “ Sua retardada, pare d mandar e-mails inúteis e arrume alguma coisa melhor para fazer ”. Ao todo, 52 pessoas participavam do grupo de discussão e receberam as mensagens.

A estudante ajuizou ação de indenização por danos morais, alegando que sofreu abalo psicológico, ao ser humilhada e exposta ao ridículo perante aquelas pessoas de seu convívio social. O juiz Maurício Torres Soares julgou o pedido da estudante procedente, fixando o valor da indenização em R$ 4 mil.

Reputação abalada

Inconformado, o líder da turma recorreu ao Tribunal de Justiça, mas os desembargadores Francisco Kupidlowski (relator), Cláudia Maia e Nicolau Masselli mantiveram a sentença. “ Não é de bom tom um líder de turma se achar no direito de agredir verbalmente, ou querer chamar atenção de uma colega chamando-a de ‘ imbecil ’ e ‘ retardada ’ ”, ressaltou o relator.

Segundo o magistrado, a veiculação do texto “ teve repercussão e, definitivamente, de forma nociva à reputação da estudante, atingindo sua honra subjetiva ”.

Fonte: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/07/23/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=119886/em_noticia_interna.shtml

- -.

- - Posted in Jul 30, 2009 by 189.75.117.85

De volta. Primeiro, Vitor, você leu mal meu comentário, mas isto já foi rebatido por outro comentarista. Segundo, esta é uma visão, no mínimo, obtusa. " Contadores de histórias " como Martin Fowler e outros, com seus blogs e livros (outra coisinha não confiável!), lideraram uma revolução na maneira como se cria software nos últimos 10 anos ao arrepio da academia, que até hoje ainda está agarrada a modelos mais ou menos waterfall-like. Estes 10 anos e inúmeros excelentes resultados em projetos mundo afora devem ser jogados no lixo porque não há um journal de prestígio que lhes dê o tão sonhado carimbo de qualidade? Nada contra a academia em si, mas querer que o conhecimento tenha apenas uma origem é demasiado wishful thinking. O mundo gira independentemente das vontades.

- - Rodrigo

- - Posted in Aug 3, 2009 by 189.24.47.162

Oi Rodrigo,

Claro que lideram! Contadores de histórias são pessoas que atingem um grande público e tem o poder de mudar a maneira como as massas pensam. Esse é o papel deles no nosso mundo. É uma profissão.

Me prove que a academia está baseada no modelo waterfall. Nunca vi qualquer coisa parecida com um waterfall na academia. Mas você deve ter as provas, já que fala com tanta propriedade.

E pensar em revolução é um pouco de exagero. A forma de desenvolvimento foi ADAPTADA aos poucos para atingir melhores resultados. Depois de um grande número de tentatiras, e erros, o mundo agora caminha para uma direção semelhante. O processo foi um desenvolvimento progressivo, não uma revolução.

- - Vitor Pamplona

- - Posted in Aug 3, 2009 by 143.54.13.187

Não há como " provar " que a academia é baseada no modelo waterfall em um comentário de blog. Creio, porém, que é simples questão de observar ou conversar no corredor de qualquer universidade.

- - Rodrigo

- - Posted in Aug 3, 2009 by 189.24.23.18

Oi Rodrigo,

Claro que há como provar. Sempre há. Se até a psicologia consegue provar suas teorias empíricas, provar o uso do waterfall é mole.

No entanto eu NUNCA vi a academia usando QUALQUER modelo de desenvolvimento. E olha que eu já andei perguntando nos congressos e em outras universidades. Como normalmente o trabalho só tem 1 desenvolvedor, não é necessário usar uma metodologia de software.

[] s

- - Posted in Aug 3, 2009 by Vitor Pamplona

É, a discussão aqui está boa. Mas eu não vou perder tempo falando onde você sempre terá razão. Minha opinião sai no meu blog. Em breve.

- - Bel

- - Posted in Dec 25, 2009 by 200.252.189.130

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