Vitor Pamplona

Innovation on Vision: Imaging , Enhancement and Simulation

Programação no Ensino Escolar

Na minha humilde opinião, três matérias deveriam ser adicionadas ao currículo escolar: (i) Legislação, (ii) tributação e matemática financeira, e (iii) programação de computadores. Legislação, para que nenhum jovem seja preso por incitar a violência no Twitter, nem por difamar colegas, por falsidade ideológica ou planejar ataques através da internet. Tributação, para que todos tenham a chance de ficar ricos, e matemática financeira para melhorar as condições de vida dos 2 bilhões de pessoas atualmente na pobreza. Por fim, computação, para que nenhum jovem seja excluído da nossa futura sociedade cibernética.  

Eu comecei a trabalhar com 16 anos e, na época, eu não me conformava com o fato de não conseguir lançar uma simples nota fiscal manualmente. Tive que passar por um treinamento na empresa. Perguntava-me, todos os dias, se a escola era realmente útil, já que eu não sabia como funcionava a tributação brasileira, não conhecia meus direitos e sequer sabia o que era o mercado de ações. Na época, esse conhecimento parecia imprescindível não só para viver sem problemas jurídicos, mas também para ter lucro e ficar rico antes dos 25. Como eu ainda não estou rico, e já passei dos 25, concluo que esse conhecimento era mesmo necessário. Hoje, eu não entendo como queremos criar cidadãos melhores se as pessoas que saem do ensino médio mal sabem que uma simples crítica via Orkut pode levá-los à cadeia. O futuro para estes jovens não parece muito feliz.  

Como as duas primeiras matérias são óbvias para o mundo atual, vou me ater à terceira sugestão: a computação.

Num futuro não muito distante, cada um de nós terá o seu robô particular. Mais de um, dezenas. Um robô será tão barato quanto um aparelho de celular, e será mais rápido, ágil, preciso e trabalhador do que os humanos. Os empregos lógicos e repetitivos, aqueles dos que seguem ordens, estarão ameaçados. Restarão a arte, o esporte, a ciência, a religião e a programação destes robôs.

E isso não é ficção. O mundo de hoje caminha nesta direção. Cedo ou tarde chegaremos lá. Resta saber se estaremos preparados para enfrentar esta grande mudança. A exclusão tecnológica de hoje não é nada comparado a futura exclusão cibernética.  

O robô será governado pelo conjunto de instruções lógicas (programação) elaboradas pelo seu único dono. Mesmo com inteligência artificial avançada, os robôs sempre seguirão as ordens de seus donos. Ordenar um robô nada mais é do que programar e, esta programação estará no centro da sociedade pós-contemporânea. Um erro de programação resultará em muitos problemas jurídicos.  

Se você ordenar um robô a fechar a porta, por exemplo, e esquecer-se de deixar claro que ele não pode fechar quando algum animal estiver passando, problemas a vista. Imagine seu neto, com 16 anos, neste futuro. Sem saber como programar o seu robô, desconhecendo as leis e o mercado. Desconhecendo o fato de que se ele ordenasse o robô a plantar uma árvore por dia, ele pagaria menos imposto. Imagine você nesse mundo sem saber como programar um robô de maneira eficiente e sem incoerências lógicas.  

Não é necessário ir muito longe. Hoje parte da nossa vida comum é programada. Programar humanos não é diferente de programar máquinas. Tudo se dá através de uma linguagem, onde o instrutor ensina, passo-a-passo, seus instruídos e cuida para que erros não aconteçam. Com os computadores também se usa uma linguagem, a diferença está na troca do raciocínio e da emoção humana do serviçal por um conjunto de chips que seguirão ordens estritas, sejam quais forem elas, sensatas ou não.

Eu sou graduado em computação. Poderia facilmente programar qualquer robô. No entanto, não aprendi a programar na faculdade. Aprendi um pouco antes, quando ainda cursava do ensino médio, em um daqueles cursinhos de técnico em programação. Por isso que digo, nos dias de hoje, é possível ensinar uma criança a programar. É um conhecimento que ela levará para a vida toda, seja numa simples planilha do Excel, seja criando o site de sua empresa ou, seja programando os ditos robôs. É tudo fruto do mesmo, um raciocínio lógico e consistente.    

Posted in Nov 1, 2009 by Vitor Pamplona - Edit - History

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Acho que você chegou perto do que penso. Não penso em algoritmos, mas o ensinamento de semântica em Nível fundamental e semiótica no Nível Médio seria de grande valor. Já no nível superior poderia haver a aplicação desse background de acordo com a área profissional escolhida.

Não acredito que os " robos " serão programados com uma linguagem computacional, mas semiótica que seria nada menos do que a aplicação da inteligência artificial.

- - Luiz Aquino

- - Posted in Nov 3, 2009 by 187.58.50.243

Prezado Vitor, obviamente você não me conhece e da mesma forma não lhe conheço, mas lhe digo, sou professor da rede pública, sou biólogo, especialista em biotecnologia, e sabe, concordo com você em tudo o que disse, mas com algumas ressalvas. Na verdade, todo o conhecimento que o mundo todo produziu nesses anos é praticamente impossível de emitirmos alguns pareceres, (falo por mim mesmo) por exemplo, quando vou ensinar sobre CITOQUÍMICA os alunos não compreendem bulhufas, aliás, quando um aluno consegue compreender o que é uma célula nós professores de biologia já damos um pulo de felicidade, o fato é que tem coisas, tem campos do conhecimento que estão relacionados diretamente com algumas regiões do cérebro e isso depende diretamente da idade do cidadão, sim! a idade biológica faz diferença em um processo de ensino-aprendizagem no entanto a educação necessita de reformas urgentes em seus currículos, por exemplo, um jovem que está no ensino médio não entende coisas básicas por mais simples que elas sejam e se for complexa então... aí já viu! mas existe uma diferença entre o entender e o não querer aprender. Se eu ficar aqui explicando sobre as leis mendelianas, você hoje com mais de 25 anos compreende a importância do trabalho de Mendel para a humanidade, no entanto, um adolescente de 16 ou 17 anos está mais interessado na bunda e nos peitos da colega de sala do que na importância que alguns conteúdos tem para a vida dele (mal sabe ele, se é portador de um gene por exemplo para polidactilia e que quando ele for transar sem camisinha e ter um filho com polidactilia, ele vai pensar que o filho dele é um mutante com 6 dedos) o fato de algumas disciplinas serem complexas demais para idade é um dos pontos, outro ponto é que existe uma verdadeira letargia sócio-política nos nossos jovens, para compreender isso é necessário compreender um cenário político e social o qual quando eu tive lá no final da década de oitenta a disciplina de ESTUDOS SOCIAIS éramos cobrados, infelizmente algumas disciplinas foram retiradas dos currículos, mais por qual motivo? permanece a interrogação, será uma estratégia política para favorecer o processo de " letargia político-social " uma vez que pessoas que não reagem ante tais processos são mais fáceis de serem manipulados? permanece a incógnita. Claro, existem questões muito mais complexas do que isso por trás da educação, mas sabe-se e posso afirmar com toda a certeza que esta é uma arma importante para mudanças no cenário político-social desta forma não há interesse por parte do governo para que isso seja mudado.

- - Marcio

- - Posted in Jun 9, 2011 by 187.55.198.78

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