Vitor Pamplona

Innovation on Vision: Imaging , Enhancement and Simulation

Problemas de Ciência e Problemas de Engenharia

Em computação é difícil separar Ciência de Engenharia. Primeiro porque todo o engenheiro se acha um cientista, o que não é verdade. Segundo, porque a palavra ciência não é bem entendida. Terceiro, porque a computação se acha a última bolacha do pacote e ignora completamente as áreas adjacentes. E quarto, criar algoritmos faz o programador achar que está criando conhecimento, mudando o mundo assim como Einstein e Newton. A confusão é tão grande que até os especialistas se perdem.

A meu ver, o engenheiro é o cara prático, o cara que faz, enquanto que o cientista é o cara que estuda. Simples assim. O engenheiro é aquele que projeta, implementa e vende produtos e serviços. O cientista é aquele que estuda o mundo, as obras e as ferramentas, que observa a vida e tenta imitá-la, padronizá-la, defini-la. Ambos produzem inovação, cada um a sua maneira e cada qual a seu propósito. O engenheiro quer facilitar a vida das pessoas, o cientista não, quer estudar as coisas para aprofundar o conhecimento da humanidade. Simplesmente objetivos diferentes.

Na minha pouca experiência científica, já vi trabalhos de engenharia serem publicados e apresentados como trabalhos científicos. Já vi experientes PhDs defendendo a engenharia como forma da ciência. Já vi engenheiros criticando a falta de praticidade da ciência. Já vi cientistas criticando o marketing abusivo e a falta de referências da engenharia (eu mesmo). Já vi artigos científicos que nada mais eram do que a evolução natural de uma técnica. Algo que qualquer um faria, mas como o sujeito foi o primeiro, se acha no direito de dizer que aquilo é ciência.

A confusão começa lá no MEC. Faltam diretrizes detalhadas: a sutil distinção entre os cursos de engenharia, ciência da computação e sistemas de informação e a ampla abertura para que cada faculdade determine como é seu curso de ciências, só dificultam. A FURB, por exemplo, cortou as disciplinas de cálculo do currículo de ciência da computação com base numa diretriz do MEC que diz que o curso deve se adaptar a indústria local que, no caso, é constituída em sua imensa maioria de empresas de sistemas de informação. Uma pena. A SBC também não ajuda: regulamenta e não regulamenta. Não tem poder político algum. A indecisão no órgão que rege e pune os profissionais da computação é outro ponto que atrapalha.

Fato é que temos muitos profissionais e pesquisadores interessados nisso. É uma pena que eles não estão unidos e com isso perdem todo o seu poder político. Seus egos não permitem que cedam a pressões alheias. A academia egoísta está dividida. Há cientistas e engenheiros querendo ser julgados da mesma forma. Na lista da SBC, está em andamento, há mais de uma semana, uma discussão sobre a avaliação dos acadêmicos feita pela CAPES. Começou com pesos diferentes entre periódicos e conferências e chegou a produção de software, gerência de equipes de desenvolvimento, engenharia de software e mercadologia. O que cientistas tem a ver com mercadologia? Não sei. Tem gente que valoriza demais a experiência acadêmica enquanto outros valorizam demais a experiência mercadológica. Tudo por causa de uma palavra. Profissionais e pesquisadores querem e buscam incessantemente a propriedade da palavra CIÊNCIA, como se fossem iguais, mas não são. A palavra é forte, o lado que perder a briga sabe que perderá seguidores. O curso de engenharia da computação não é tão querido pelos jovens, quanto o de ciências.

O mais engraçado é que nem a matemática e a física, que são ciências sem sombra de dúvida, carregam o nome ciência no curso. Algo está fedendo na computação, e eu acho que é a nomenclatura.

 

Posted in Mar 9, 2009 by Vitor Pamplona - Edit - History

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Parabéns pelo Post Vitor!
Muito bom mesmo, não sabia dessa da furb ter cortado calculo do BCC e também não entendo o propósito já que a Furb também tem o curso de Sistemas. Adaptar-se ao mercado da região? Ando meio decepcionado com as empresas de lá. Pagam mal, não investem em treinamentos, tecnologia ou metodologias.

Não gosto de desenvolvedores que se intitulam Engenheiros ou vagas de analista que intitulas " Engenheiro de Software ". Acho que é minimizar o termo, já que engenheiro é um título assim como Mestre, Doutor e Professor.

Acho que cientistas são os acadêmicos que dedicam-se à pesquisa e muitas vezes não ganham grandes reconhecimenos.

Abraços
Rodrigo Kammer

- - Posted in Mar 10, 2009 by 71.116.166.34

Muito bom o post Vitor.

Vejo muitas pessoas, bastante mesmo, esquecerem que o Cientista Computaçional (como se não estivesse estampado no nome) é um cientista (faz ciência).

A questão da nomenclatura realmente nunca tinha parado pra pensar nisso, acho que como é um curso novo por isso cabe a ressalva do nome Ciência.

Abraço

- - Rodrigo Ramalho

- - Posted in Mar 15, 2009 by 189.27.38.113

Computaçional não Computacional.
(é pq eu tinha escrito Computação antes hehe...)

- - Rodrigo Ramalho

- - Posted in Mar 15, 2009 by 189.27.38.113

Rodrigo, acho que tem uma coisa aí que você está confundindo.

Uma pessoa forma em ciências da computação ele é bacharel em ciências da computação. Ele não é um cientista. Da mesma forma, uma pessoa que forma em direto é bacharel em direito e por aí vai.

Cientista é outra coisa. Um físico pode ser um físico e (ou) um cientista. Um engenheiro idem. E por aí vai.

Para continuar a discussão deixo uma pergunta. A matemática é uma ciência?



- - Eu

- - Posted in Mar 16, 2009 by 189.27.26.3

Bom post!

- - Luiz

- - Posted in Mar 21, 2009 by 189.27.47.121

oi pessoal... olha meu nome é lucas, tenho 22 anos e pretendo fazer uma facu de engenharia. Mas estou em duvidas entre, engenharia mecatrônica ou ciencias da computação, alguem ai pode me diser qual seria a melhor em seus pontos de vista!!!
Sei q a escolha é minha mas gostaria de ajuda, tipo a tendencia do mercado, oq faz cada uma dessa engenharia e c uma das 2 iria bem no futuro...

obrigado!!!

- - lucas

- - lucas

- - Posted in Nov 22, 2009 by 201.0.122.17

Sinto muito, mas você está equivocado.
Estou concluindo Engenharia Mecânica, e conheço bem as areas que posso atuar.

Quando você disse " A meu ver, o engenheiro é o cara prático, o cara que faz ", você estava equivocado, o cara prático que " faz " é um técnico, não é necessário nivel superior (não estou menospresando os técnicos, os engenheiros nada serião sem eles).

O engenheiro pode tanto projetar e melhorar tendo como partida um problema, como trabalhar como pesquisador (cientista).

Você ainda disse:
" Já vi artigos científicos que nada mais eram do que a evolução natural de uma técnica. Algo que qualquer um faria, mas como o sujeito foi o primeiro, se acha no direito de dizer que aquilo é ciência. "
e se referiu também a Einsten e Newton, não se esqueça que muito do que eles fizeram, qualquer um poderia fazer hoje também, e é de todo mérito que alguem se orgulhe de ser o primeiro a ter uma idéia útil.

Aprenda a valorisar ideias, por mais simples que possam parecer.

Espero que tenha entendido o que eu quis dizer...

abraço

- - Pc

- - Posted in May 18, 2010 by 201.47.69.41

Oi Pc,

Se um engenheiro trabalhar como pesquisador, ele não pode mais ser chamado de engenheiro, ele no momento é pesquisador. Portanto há uma distinção entre as coisas que você pode fazer. E isso é verdade até aqui no MIT.

Idéias são inúteis. Todo mundo tem idéias. Quem prova que as idéias funcionam (Einsten e Newton) é quem leva o crédito. E provar é diferente de simplesmente fazer.

[] s

- - Vitor

- - Posted in May 18, 2010 by 18.133.7.179

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