Vitor Pamplona

Innovation on Vision: Imaging , Enhancement and Simulation

O Poder de um Bom Nome

Um nome vai muito além de um conjunto de caracteres ordenados com significado semântico. Trata-se do resumo de uma história, um identificador reservado na mente das pessoas que descreve imprecisamente um contexto, algumas atitudes e uma reputação.

O nome oficial do grupo onde eu trabalho aqui na UFRGS é Computer Graphics, Image Processing and Interaction Group. Péssimo nome. Além de ser muito longo, descreve muito mal os trabalhos do grupo, não é fácil de memorizar, e não é nada criativo. No dia-a-dia, nós somos conhecidos como o grupo de computação gráfica, o que é pior, pois não engloba processamento de imagens e nem interação humano-computador.

Eu sempre tive dificuldade em explicar o que faz um grupo de computação gráfica em termos de pesquisa. O nome computação gráfica remete, dos leigos aos mais experientes em computação, a produtos e efeitos utilizados em filmes de animação, jogos, arquitetura e design, como Photoshop, Blender, AutoCAD, entre outros. Mas pesquisa em computação gráfica é muito mais fundamental. Nossos produtos até tem aplicação nestes sistemas, mas o foco do trabalho, onde nós investimos a maior parte do nosso tempo, passa longe deles.

Há duas semanas, comecei a responder a pergunta o que você faz na UFRGS? de maneira diferente do habitual trabalho no grupo de computação gráfica, e os resultados foram muito positivos. Geralmente, eu gastava vinte minutos explicando o que faz a computação gráfica acadêmica para o sujeito, onde o principal desafio desta explicação era desvincular o conceito aos produtos de mercado. A minha atual resposta trabalho com análise e simulação de fenômenos naturais descreve muito melhor o que eu faço e, de quebra, tem tudo a ver com pesquisa e academia.

Fenômenos naturais são fatos e ações que ocorrem sem interferência humana no nosso mundo e que o descrevem da forma como é. Estas ações têm influência direta nas cenas virtuais criadas automaticamente por computação gráfica e, portanto, a análise e simulação fiel destes fenômenos é uma grande preocupação da nossa área.

Claro que o nosso grupo não trabalha só com fenômenos naturais. Há, por exemplo, uma divisão trabalhando com análise e simulação de comportamento e sociedades humanas. As teorias aplicadas neste subgrupo têm incidência direta em toda a simulação de multidões, sejam em robótica, jogos, filmes ou para prever problemas de segurança em eventos de grande porte. Outra divisão trabalha com análise e simulação de estruturas, órgãos e cartilagens do corpo humano. O objetivo deste subgrupo é prover ferramentas eficientes de aprendizagem, treinamento e de diagnóstico para médicos. Vocês sabiam que para vários tipos de cirurgia, não há qualquer software de treinamento? Logo, um estudante de medicina pratica suas habilidades em pessoas, em cirurgias reais. Pensou em um estagiário removendo um câncer em você?

Outra divisão do nosso grupo trabalha com user experience. Testam novos mecanismos de interação e algoritmos de visualização de dados em busca de uma experiência melhor do usuário. Também existem divisões que pesquisam novas estruturas de dados e a compressão delas, e visão computacional.

Dar o nome correto aos bois é um trabalho árduo e difícil, mas é necessário. A economia e a visualização que um bom nome gera são impressionantes. No meu caso, até a receptividade negativa da indústria por eu ter um título de mestre mudou.  

Portanto, estude antes de dar um nome às coisas. Não façam como eu fiz no meu projeto de wiki open-source, que dei o nome infeliz de Priki (Prevalent + Wiki), cujo som é parecido com prick, que é uma gíria americana para pênis. Logo a expressão no rodapé Powered by Priki não é muito bem vista por eles.

Posted in Aug 9, 2009 by Vitor Pamplona - Edit - History

Showing Comments

A área de computação gráfica talvez seja, das áreas de computação, de longe a mais vulgarizada... isso se dá por puro desentendimento... Trabalhei um tempo com CG 3D usando softwares como maya, xsi e outros para edição dos vídeos como after effects etc... Os trabalhos eram voltados para publicidade. Quando me perguntavam o que eu era, eu respondia " Animador " e logo pensavam que eu era animador de festas... Então eu dizia, " não não, é de computação gráfica " e a pessoa respondia " ah, legal, eu também mexo um pouquinho no photoshop " e isso me deixava louco, pois nem usava o tal " photoshop " no meu dia a dia * rs... Ai eu comecei a cursar ciência da computação e hj desenvolvo sistemas em java... Hoje perguntam qual o meu curso, eu respondo " ciência da computação " e a pessoa logo engancha um " ah, legal, vc trabalha com informática? pode concertar meu PC "??? Dá vontade de responder " não, mas talvez um engenheiro da computação possa... talvez!! " Não tem jeito...

A ignorância dói, mas é isso mesmo = D... Hoje eu já levo na esportiva...

- - Tiago Mesquita de Araujo Cunha

- - Posted in Aug 10, 2009 by 200.172.134.134

" mas talvez um engenheiro da computação possa... talvez!! " Não tem jeito...

A ignorância dói, mas é isso mesmo = D... Hoje eu já levo na esportiva... "

lamentável esse comentário. engenheiro de computação fazendo conSerto de computador.

1 ° Concerto e Conserto são diferente, uma pessoa do 3 ° Grau cometendo erros crassos como esse, só tem uma resposta. LAMENTÁVEL.

2 ° Uma pessoa que faz engenharia de computação para fazer serviço de Técnico de manutenção? isso para mim está parecendo recalque puro. Não consegue passar em engenharia ou tem medo de fazer cálculos e termina na ciências, repito Recalque puro.

3 ° A ignorância dói mesmo, ainda mais vindo de alguém que acha que os outros estão errados.

- - W

- - Posted in Dec 2, 2009 by 201.11.214.35

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