Vitor Pamplona

Innovation on Vision: Imaging , Enhancement and Simulation

Novidades do Ubuntu 9.04

 Esta semana atualizei o meu Ubuntu para a versão, ainda beta, Jaunty (Confiante / Desenvolto) Jackalope. Sempre atualizo meu micro de casa antes do lançamento oficial de cada versão. Além da ansiedade, acho que, como programador, é minha responsabilidade testar o que a galera do software livre anda fazendo, reportar bugs e publicar meus comentários antes da versão final.

O objetivo geral do Jaunty é melhorar o user experience a fim de aproximar o Ubuntu de seus concorrentes da Apple e da Microsoft. Não vi muita diferença. Para a felicidade geral da nação, os desenvolvedores de software livre não mudam todo o sistema de uma versão para a outra, como a Microsoft gosta de fazer. Temos um tema novo, alguns detalhes em telas de configuração e novas versões dos programas do repositório oficial. Nada que assuste o usuário.  

Dois objetivos específicos guiaram o desenvolvimento do Jaunty:

  1. Reduzir o tempo de boot. Nas palavras do Mark Shuttleworth: “ O Jackalope é conhecido por ser tão rápido que é extremamente difícil pegá-lo. Vejamos se conseguimos fazer o mesmo com o boot e wake up do Ubuntu ”. No meu Sony VGN-SZ670N não mudou nada. A redução do tempo de boot deveria ser algo em torno de 30%. Aqui, depois de uns ajustes de migração, baixou de 26 para 18 segundos. Ajudou, mas poderia ser melhor. Quando eu usava o Gentoo o tempo de boot (sequencial) era sempre menor que 10 segundos.

  2. Misturar serviços web e aplicações desktop. Integrar as aplicações de tal maneira que o usuário não saiba se o que ele executa é local ou um serviço web. De fato, várias aplicações possuem suporte a serviços web. Mas dizer que o usuário não percebe a diferença é um pouco forte demais. Na maioria das vezes são plug-ins que o usuário ativa se quiser o serviço.

Já com as aplicações de terceiros que acompanham o Ubuntu, destaque para a nova versão do Gnome, do OpenOffice e do Amarok.

O Openoffice 3.0 lê documentos OpenXML (docx, xlsx e pptx) e trabalha com ODF 1.2. Possui novos tipos de gráficos (charts), edição compartilhada de planilhas, visualização de múltiplas páginas durante a edição, melhorias no sistema de revisão de documentos, suporte a macros VBA, exportação para PDFs com mais opções de segurança e formatação, suporte a múltiplos monitores, leitura de arquivos do Microsoft Access e várias novas extensões, incluindo a importação de PDFs.

O Gnome 2.26 traz consigo uma nova versão do Basero, uma ferramenta para gravar CDs / DVDs que pode competir em pés de igualdade com o famoso K3b do KDE. Compartilhar diretórios ficou mais fácil com as novas opções de compartilhamento via WebDAV, HTTP e Bluetooth. I ntegrado ao Gnome, o fprintd permite que você registre suas impressões digitais diretamente no profile do usuário, facilitando o uso. O PulseAudio, agora padrão no Gnome, ganhou controle de volume integrado por aplicação e suporte plug and play para áudio (placas de som USB). O Evolution recebeu uma opção para importação de e-mails, contatos, tarefas e eventos do Microsoft Outlook (arquivos PST) e uma outra para comunicação com o Microsoft Exchange. O Gnome Media Player agora faz o download de legendas para os vídeos e filmes automaticamente. O cliente de mensagens instantâneas Empathy, integrado ao pidgin, ganhou suporte a transferência de arquivos, chats, temas sonoros e notificações. O Epiphany, browser oficial do Gnome, ganhou uma barra de localização semelhante a do Firefox, novos plug-ins, e manteve a simplicidade e o desempenho tradicionais.

A nova versão do X.Org traz novos drivers e melhorias nos atuais da ATI. Os usuários de placas Intel agora podem usar uma nova opção de aceleração de hardware chamada de DRI2 / UXA. Infelizmente para usar é necessário alterar manualmente o xorg.conf.

O novo kernel finalmente fez funcionar o ajuste de brilho do meu notebook que até hoje nunca tinha funcionado.

As notificações do system tray agora têm um novo tema e novos comportamentos. Veja aqui .

O sistema de arquivos ext4 está presente, mas ainda não é padrão. Com partições de até 1 exabyte, o novo ext4 não possui limite de subdiretórios (no ext3 o limite era de 32000) e o suporte a alocações multi-bloco com uma única chamada de função permite otimizar a distribuição de arquivos maiores que 4kb. O ext4, assim como RaiserFS e XFS, possui delaiyed allocation, ou seja, a alocação é atrasada até que seja realmente necessária. No ext3 a alocação é feita tão cedo quanto possível e fica esperando os dados para gravar. Outras features incluem: a checagem rápida da integridade do sistema de arquivos (fast FSCK); o checksum no journal , garantindo a integridade dos backups em caso de falha de hardware; a possibilidade de desabilitar o journalling e o suporte a pré-alocação, uma função para alocar espaço sem enviar dados.

O Amarok 2 é o único retrocesso das novas versões. A versão 2.0 ainda não está pronta, não possui todo o suporte do Amarok 1.x e, no meu micro, está bem instável, principalmente em relação ao PulseAudio. Troquei de player para o Exaile, que possui características muito semelhantes.

O Ubuntu 9.04 server inclui suporte a Cloud Computing através do Eucalyptos, uma tecnologia que permite a criação de nuvens privadas que suportam a Amazon EC2 API. O framework permite criação dinâmica de máquinas virtuais, configuração de múltiplos clusters e de ESB (Elastic Block Storage).

Migrei sem nenhum problema. A atualização levou cerca de 3 horas e necessita de 4GB de espaço em disco que serão liberados após o processo. Dos softwares que uso, o único problema mesmo foi em relação a nova versão do Amarok que não funcionou legal. Até o Office 2007 e Acrobat Professional 9 continuam funcionando.  

Apesar de todas essas mudanças, o Ubuntu continua igual. Como uma boa ferramenta, as mudanças feitas não exigem uma adequação do usuário. A versão final sai dia 23 de abril. Não se intimidem, atualizem.  

Posted in Apr 5, 2009 by Vitor Pamplona - Edit - History

Showing Comments

Na última vez que atualizei o Ubuntu, para 8.10, ele acabou não reconhecendo a minha placa de rede e não quis conectar de jeito nenhum...
Fiquei ressabiado, vou esperar a versão final mesmo gostando do que tu escreveu no post. ^ ^

Até mais o /

- - Zacarias

- - Posted in Apr 6, 2009 by 143.54.6.31

Olá!

O que você usa como substitudo free ao Matlab no Linux? Octave? Acha legal?

- - Max

- - Posted in Apr 6, 2009 by 189.75.117.66

Oi Max,

Uso o Matlab for linux:)

Mas o Octave quebra o galho as vezes.

[] s

- - Posted in Apr 6, 2009 by Vitor Pamplona

Olá Vitor,

Eu estava pensando em comprar o mesmo modelo de notebook que você tem. Onde você o comprou?

[] s
Marcos

- - Marcos

- - Posted in Apr 18, 2009 by 201.82.46.42

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