Vitor Pamplona

Innovation on Vision: Imaging , Enhancement and Simulation

Fazer ciência não é inovar

Ou melhor, não é apenas inovar.

Há um tempo atrás, um pouco antes da minha palestra sobre mestrado no TreinaTom, eu discutia com o Vinícius sobre as nossas experiências de pós-graduação. Eu entusiasmado e ele já mais realista. Em certo momento, ele me confessa que não acredita que a academia seja um ambiente propício à inovação. Evidentemente eu discordei. Mas hoje eu começo a entender o ponto dele: O mercado é um ambiente muito mais hábil para inovação.

Define-se por inovação como o ato ou efeito de fazer algo novo, renovar, modificar, diferenciar. Em gestão empresarial, inovar é o processo relacionado com o acréscimo permanente de novos elementos aos produtos ou serviços existentes. Inovar pode ser algo profundo ou superficial, pode ser apenas mudar o nome ou pensar de uma maneira diferente. Inovar pode ser trazer uma idéia de outro lugar, em outro contexto e aplicá-la. Pode ser simples e pode ser perigoso.  

Não faz parte da inovação o processo de validação, onde a ciência se concentra. Inovar em si é simples. Ter idéias é relativamente simples. Comprová-las sem deixar espaço para argumentos é papel da ciência e é onde os cursos de Mestrado e doutorado se focam.

No mercado, é comum inovar e não validar. A maioria das empresas consegue contornar com sucesso uma falha de um produto inovador. Faz parte das estratégias de marketing garantir que o cliente saiba que está testando um produto inovador e, portanto, ter a ciência que o produto pode falhar (Gmail Beta ). Existem, inclusive, pessoas que não se importam em usar táticas inovadoras sem qualquer validação. A modelagem ágil até prega este tipo de comportamento. O feedback constante, small releases, nada mais é do que deixar o papel de validar a proposta inovadora para o cliente.

A academia costuma gastar muito tempo em validação. Muito mesmo. Cerca de 40% do tempo de um projeto é gasto tentando validá-lo. Normalmente, os revisores são muito chatos neste ponto e qualquer descuido pode arruinar um trabalho de meses. Além deste tempo gasto com validação, os projetos acadêmicos não tem suporte administrativo, nem para publicação. O próprio pesquisador é quem cuida de tudo, desde a idéia, até o artigo. E é claro que a inovação só é válida se possui mérito científico.  

Dado este cenário, parece óbvio afirmar que o ambiente empresarial é mais propício à inovação, pois o inovador só se preocupa em fazer o produto. O resto é trabalho para outras equipes ou para o próprio cliente. O mercado trabalha na quantidade enquanto que a academia na qualidade da inovação. No entanto, nenhuma das abordagens garante sucesso ou a fama da inovação.

Identificar o que é melhor para a sua carreira não é fácil, mas a boa notícia é que não importa onde você estiver, quem garante o sucesso do teu trabalho é apenas você. O ambiente ajuda, mas não é determinante.

Claro que tudo isso que eu falei só é válido para a computação. Em outras áreas é muito mais difícil inovar sem validar.  

Posted in Mar 7, 2009 by Vitor Pamplona - Edit - History

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Como assim sem validação? Existe melhor validação para saber se um produto será bem sucedido no mercado do que lança-lo... no mercado?

- - eu

- - Posted in Mar 1, 2009 by 189.81.130.208

Claro que existe.

E eu, como usuário, odeio saber que estou pagando por uma coisa que pode não funcionar como eu quero. Ou melhor, odeio saber que eu, humilde cliente, sou o BETA tester. Se não tem capacidade de certificar o produto antes de lançar, nem lançe.

[] s

- - Vitor Pamplona

- - Posted in Mar 1, 2009 by 189.27.237.238

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