Vitor Pamplona

Innovation on Vision: Imaging , Enhancement and Simulation

Campeonatos Mundiais

Imagine que exista, na sua área de atuação, um campeonato mundial. Se você é programador de ERP, por exemplo, imagine-se num torneio para saber quem é o melhor programador de ERP do mundo. As regras do campeonato são bem simples, faça o que puder até um dia X. Nesta data, deverão ser enviados um programa ou vídeo demonstrativo, e um artigo de 8 páginas com a melhor descrição para o programa. Os programas e documentos enviados serão avaliados e ranqueados por uma equipe de super experts, com média de idade de 40 anos e que se mantém muito atualizados em relação a sua área. Cada programa e documento receberá uma nota em diversos fatores, entre eles: originalidade, usabilidade, base teórica, funcionalidades, qualidade de escrita (escrito de maneira fácil de entender, com um fluxo natural, sem devaneios, fechado e conciso). Absolutamente tudo que será enviado será avaliado.

Pergunta: se você entrasse num campeonato assim, em qual posição você terminaria? Difícil dizer, certo? Mas você conseguiria ser campeão? Ser o melhor programador de ERPs do mundo? Ou ser o melhor artista 3D do mundo? Ser o melhor analista de sistemas do mundo?

Criei essa estória para dizer que existem eventos e revistas na área da ciência da computação que são verdadeiros torneios e campeonatos. A analogia com esporte é natural. Assim como existem campeonatos regionais, nacionais, mundiais, alguns com mais prestígio, outros nem tanto, existem conferências regionais, nacionais, mundiais e com prestígio variado. Conseguir colocar um time em um destes eventos mundiais é o mesmo que dizer: Olha, estamos competindo com os caras lá fora. Conseguir um " best paper " no campeonato mundial mais prestigiado significa: Olha, nós somos os melhores do mundo desta vez.

Na área de Pesquisa e Desenvolvimento em Computação Gráfica, por exemplo, existem dois campeonatos mundiais que podem ser comparados a Copa do Mundo e a Liga Mundial de Vôlei. São eles, o ACM Siggraph e o Eurographics. Os melhores do mundo competem nestes eventos, nomalmente acessorados por milhões de dólares doados por grandes financiadores de P & D e com muitos PhDs trabalhando. Realmente o nível de qualidade dos trabalhos publicados no evento é altíssimo.

Faço essa analogia para apresentar a rotina de trabalho de um estudante de Mestrado que pretende competir  num evento como esses. A figura ao lado mostra a minha rotina de trabalho antes da submissão para o Eurographics. A data limite era dia 26 de setembro de 2007. Fizemos, além do artigo, vídeos mostrando a técnica e ainda submetemos o nosso programa demonstração, coisa que pouca gente faz, dado que, com o software em mãos, o risco do revisor encontrar um erro é muito grande.

Quando mostrei este gráfico pela primeira vez, o Marcos me fez uma pergunta interessante: " O quanto de orgulho você tem desse gráfico? ". A minha resposta foi: Muito! Muito mesmo. Porque foi graças a esse sacrifício que nós, da UFRGS, com uma mínima ajuda financeira do governo, conseguimos enviar trabalhos extremamente competitivos ao Eurographics 2008. Exato. Estou feliz apenas por conseguir submeter algo competitivo para avaliação. Desde já nós sabemos que temos qualidade para entrar no campeonato mundial. O simples fato de saber que o meu trabalho de Mestrado está sendo avaliado e competindo com trabalhos de doutorado dos melhores profissionais do mundo (da minha área), já remove todo o cansaço gerado por aquelas horas do gráfico.

No entanto, apesar de estarmos confiantes com o nosso trabalho, recebemos uma notificação negativa. Não entramos na conferência. Embora que temos ciência de que o trabalho estava bom, não foi o suficiente para entrar no campeonato mundial, certamente foram submetidos trabalhos melhores que o nosso. Agora vamos nos esforçar para o próximo campeonato, o Siggraph 2008, mais acirrado e disputado devido a enorme quantia de dinheiro que o evento movimenta. Certamente irei plotar uma curva parecida com a figura acima novamente.

Deixo aqui um recado a todos os profissionais de todas as áreas. Busquem os seus campeonatos, montem times, e mostrem que são os melhores. Esses campeonatos não existem apenas na ciência, o mundo comercial também é um campeonato, porém é um campeonato que não tem data de fim, semelhante ao ranking de melhores do mundo do Tênis. Uma avaliação diferente, mas é uma avaliação.

Vai uma dica, para tentar estar entre os melhores do mundo, não basta trabalhar como a maioria ou ter uma inteligência superior (isso existe?). Você tem que produzir, escrever e trabalhar mais, mais e melhor. Você deve ultrapassar a média, superar a média + desvio padrão, para aí sim, começar a pensar na disputa com os melhores do mundo. A questão é: você vai jogar ou vai assistir ao jogo? Já digo de início: não será nada fácil.

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Posted in Jan 27, 2009 by Vitor Pamplona - Edit - History

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Apenas uma contribuição: participei de algumas competições e enfatizo que desenvolver para competição é bem diferente em desenvolver para a " realidade ". No primeiro caso está mais em foco o protótipo demonstrável, com erros indo para debaixo do tapete, enquanto o segundo precisa ser muito mais robusto e seguro para de fato realizar os usuários.

[] s
- - AFurtado
www.afurtado.net

- - Andre Furtado

- - Posted in Dec 7, 2007 by 200.211.176.2

Fantástico man! Se possível, coloque como foi no outro o Siggraph 2008.

- - Deocleciano

- - Posted in Aug 31, 2011 by 200.168.42.198

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